Vini Silva: craque de verdade




DE COPACABANA PARA O MUNDO - Seu nome completo é Vinícius da Silva Pereira. No futebol profissional ele é conhecido como Vini Silva. Mas, para seus colegas de futebol de praia em Copacabana ele é simplesmente Xixo. Dono de um futebol requintado, seguro no domínio da bola, tem senso de oportunidade e sabe jogar para a equipe. Um atleta respeitado pelo seu talento na arte de jogar bola. E um personagem querido por seu bom caráter, por seu temperamento, por seu bom humor e seu jeito otimista de encarar a vida. Vini Silva joga na Europa, onde atuou nos times espanhóis Antequera e Gimnastica Segoviana. Em curta temporada no Rio, ele veio participar da "Taça Brasil de Beach Soccer", vestindo a camisa do Botafogo. E mata saudades do futebol de praia atuando no Racing. Vini Silva deu entrevista exclusiva ao Craques da Praia.



1 - O que o futebol significa para você?
O futebol significa minha vida. Jogo desde os 6 anos de idade. Comecei a jogar no campinho do 600, na comunidade onde nasci, Morro dos Cabritos (Tabajaras). 


2 – Como você descobriu que o seu destino era ser jogador de futebol?
Eu sempre fui viciado em futebol. Meu pai me levava desde muito cedo ao Maracanã para ver o Botafogo jogar. Era o meu programa favorito ir ao Maracanã ver craques como Túlio Maravilha, Donizete Pantera e Wilson Gottardo jogarem! Quando eu entrei pela primeira vez no Maracanã foi uma coisa inexplicável ver aquele campo maravilhoso, os jogadores e a torcida! Ali eu percebi realmente que aquele cenario se tornaria parte da minha vida! 

3 – Em que times você já jogou no Brasil?
Eu joguei em algumas equipes no Brasil: Art Sul(RJ), Madureira(RJ), Noroeste(SP), Venda nova( MG)! 

4 – Você já atuou fora do Brasil. Conte-nos como foi a sua experiência de jogar no exterior. Em que países já jogou?
Minha trajetória na Europa começou em 2010 quando fui contratado por uma equipe da 3° divisão espanhola, o ANTEQUERA CF ! Para mim não foi muito fácil ir pra lá na quele ano, pois minha mãe estava muito doente aqui no Brasil. Eu estava em São Paulo quando meu pai me deu duas noticias: uma é que meu procurador na época tinha avisado a ele que eu tinha sido contratado para jogar na Europa; a outra é que o câncer de minha mãe tinha se espalhado para alguns órgãos do corpo dela! Naquele momento fiquei muito confuso porque estava prestes a realizar o grande sonho da minha vida, que era jogar profissionalmente na Europa. E, ao mesmo tempo, prestes a perder a GRANDE responsável por este sonho estar se realizando. A mulher da minha vida: minha mãe! Ela acabou falecendo e uma semana depois tive que me apresentar para a pré-temporada com minha equipe na Espanha! Não foi fácil para mim, pois estava de luto, sofrendo muito, vivendo num pais desconhecido, em que não falava o idioma! Tenho dois amigos que foram fundamentais para que eu desse a volta por cima: Leonardo e o Bernardo. Através deles tive a oportunidade de jogar na Espanha, pois foram eles que me indicaram para o empresário. Eles foram fundamentais nessa minha recuperação emocional na Europa. Minha primeira temporada foi muito boa, sendo um dos principais destaques daquela equipe e quase conseguindo acesso a segunda divisão. 


5 – Você atua, principalmente, como zagueiro. Qual a real importância do zagueiro na estrutura de uma equipe de futebol?
Na verdade sempre joguei de zagueiro, até chegar no Madureira, clube do Rio de janeiro. Fui contratado como zagueiro, mas acabei jogando de centroavante.  Isso porque naquele ano tínhamos uma ótima equipe, mas faltava o finalizador, o homem de área. Todos os dias chegava gente de todo o Brasil para fazer testes, mas ninguém agradava ao nosso treinador. Num belo dia, vendo a preocupação do treinador para conseguir o homem de referencia de área, e eu não estando satisfeito de estar no banco de reservas, chamei-o num canto e falei que poderia ajudá-lo nessa questão. Disse que poderia ser o centroavante que ele precisava. No mesmo momento ele começou a dar risadas, falando que eu era maluco e que se eu jogasse mal ele iria me mandar embora. Eu tranquilo, respondi ok! Isso foi numa sexta-feira. No sábado tinha um jogo treino contra a equipe do Bonsucesso profissional. Nossa equipe começou perdendo de 2 a 0 no primeiro tempo. Quando fomos para o intervalo ele me chamou no meio do grupo e falou assim, ironizando: "Gente, o Vini falou que é o camisa 9 que estamos precisando". E todos começaram a me chamar de maluco, a dar risadas, e eu ali tranquilo. Então o treinador me mandou ir pro jogo sem dar nenhum treino de atacante. E eu também nunca tinha jogado de centroavante na minha vida. Mas eu tinha um poder de finalização muito bom por sempre ter jogado futebol de praia. Entrei em campo comecei a jogar a partida que terminou em 4 a 2, com 3 gols meus. (Risos!) Fui no mesmo momento agradecer a oportunidade que o treinador tinha me dado. Calei a boca de todos. Naquele momento eu me tornei o centroavante titular da equipe, inclusive vestindo a camisa 10. (Risos!) Nunca imaginaria jogar com a 10, nem em pelada. Resumindo: saí do banco de reservas da zaga para o camisa 10 do time. O zagueiro costuma a ser o homem de confiança da equipe, o xerifão. É uma posição que exige muita responsabilidade e personalidade. É fundamental dentro de uma equipe de futebol! 


6 – Como o futebol de praia entrou na tua vida?
O futebol de praia entrou na minha vida porque, ao contrario do subúrbio, nós não temos campos de futebol de onze para jogar na zona sul. Então nos resta a praia. Por isso surgem muito mais jogadores do subúrbio do que da zona sul. Não quer dizer que não saem jogadores de qualidade daqui. Temos exemplos como o maestro Júnior e o Rodrigo Souto. A primeira escolinha de praia que joguei foi o Carioca, na época comandado pelo Dedé, técnico do Liverpool. Lembro que o primeiro chute que eu dei não chegou no gol, parou no meio do caminho. (Risos!)  

7 – O que você está achando de jogar no Racing?
Jogar o Racing é um prazer. O Racing é uma equipe marcada por ter sempre os melhores jogadores da praia, por sempre entrar forte em todas as competições. Creio que todos que jogam futebol de praia sentem vontade de um dia jogar no Racing, até porque é um dos poucos times que reconhecem o valor de cada um dos seus jogadores e pagam por seus serviços prestados a instituição. Temos um presidente maravilhoso, muito emotivo, que veste de verdade a camisa do Racing: Alexandre Sherman. Creio que o Racing vem forte para essa temporada e como sempre, e um dos favoritos ao titulo


8 – Quem são os atletas do futebol de praia que você mais admira?
Os jogadores que mais admiro da praia são três nomes: Bruninho, do Racing; Benjamim, da Seleção Brasileira de beach soccer e o maestro Júnior, do Juventus. 

9 – Quem são os jogadores do futebol profissional que você mais admira?
Os jogadores que admiro do futebol de campo: Messi, Ronaldo Fenômeno, Romário, Ronaldinho Gaúcho e Gamarra. 


10 – Quando os jogadores se reúnem para um pagode, você participa tocando com muita desenvoltura. O que o samba significa para você?
O samba significa para mim toda a alegria do povo carioca. É com o samba que eu mato minhas saudades quando estou fora do Brasil. Coloco no meu ipod e escuto sempre antes de entrar em campo para jogar. Gosto muito da música "Tá escrito", do grupo Revelação. 

11 – Copacabana é um mundo à parte. Você sente falta desse lugar quando está lá fora?
Copacabana é o melhor lugar do mundo. Eu agradeço a Deus todos os dias por ter nascido aqui. Toda vez que estou chateado com alguma coisa, eu vou pra orla, dou uma volta e tudo melhora. Morro de saudades quando estou fora. Minha felicidade está aqui em Copacabana. Meus amigos, minha vida, minha família, tudo aquilo que realmente tem importância para mim está aqui. Paraíso tropical. Simplesmente o meu quintal.  


12 – Quais os seus planos para o futuro?
Meus planos para o futuro: me firmar cada vez mais no futebol e poder abrir meu próprio negócio. E ser muito, mas muito feliz...  


13 – Que mensagem você gostaria de mandar para seus colegas que jogam futebol de praia?
Queria deixar pra galera não uma mensagem, mas sim um exemplo de um cara que nasceu em uma comunidade carente, que sempre jogou bola na areia, e que nunca desistiu dos seus sonhos. Como diz uma trecho da musica do Revelação: "Ninguém vai poder atrasar quem nasceu para vencer". Valeu galera. Forte abraço!

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